10 Novembro 2006


Um filme negro, apenas com um relampejo de claridade nos derradeiros fotogramas, talvez impróprio para este dia luminoso. Sem nada para fazer depois do almoço, passei parte da folga a ver La Stanza del Figlio de Nanni Moretti. Não há margem para dúvidas: toda a experiência dolorosa é uma fonte admirável de criação.

Moretti oferece-nos, no fio da navalha, a recapitulação da história da humanidade. No início, o idílio: o filho são, ressumando a aparentemente inesgotável seiva da adolescência. Logo de seguida, a expulsão: a morte do jovem, a penumbra, a queda desamparada dos pais; Moretti a conduzir-nos através do território minado da dor.

Qualquer juizo estético sobre La Stanza del Figlio só pode ser produzido calculando o número de estremecimentos, suspiros e torções que o seu visionamento provoca no espectador. E como não evitar depois o arrepio sempre que se ouve os primeiros acordes de By This River de Brian Eno.


La Stanza del Figlio . www.imdb.com

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Escuto, By This River, de Brian Eno

3 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Já vi esse filme há uns anos e pensei que nunca fosse capaz. Andei uns tempos a fugir dele.
O Nanni Moretti consegue poupar-nos um pouco no final e transmitir-nos a esperança de que toda a dor é sublimável.

mar_maria

6:09 PM  
Blogger serrano said...

Por acaso nunca fugi dele. Pelo contrário, retomo a este filme com frequência. serei masoquista?

2:03 PM  
Anonymous Anónimo said...

Não, eu é que sou semipiegas em situações limite.

mar_maria

6:41 PM  

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